Entrevista

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  • 17/08/2018 12h06 Entrevista

    Em decisão inédita, a Justiça americana condenou a Monsanto a indenizar o jardineiro Dewayne Johnson em US$ 289 milhões pelo aparecimento de um câncer, que estaria relacionado ao uso do herbicida Roundup, que tem como princípio ativo o controverso glifosato, um dos agrotóxicos mais usado no Brasil. O processo é um de cinco mil casos similares em andamento nos EUA. Apesar de a Monsanto negar que a substância esteja ligada à doença, a Agência Internacional de Estudo em Câncer (Iarc, na sigla em inglês) já havia classificado em 2015 a substância como “provavelmente carcinogênico para seres humanos”. Em entrevista ao Portal EPSJV, a toxicologista do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e integrante do grupo de trabalho ‘Saúde e Ambiente’ da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Márcia Sarpa, fala como essa decisão impacta nosso país, que em 2009 se tornou o maior consumidor mundial de agrotóxicos, com mais de um milhão de toneladas, o que equivale a um consumo médio de 5,2 kg de veneno agrícola por habitante. A exemplo do estudo da Iarc, o Inca comprova em pesquisa que está para ser publicada até o fim deste ano que pacientes com exposição ocupacional a agrotóxicos têm mais chances de desenvolverem linfomas não-Hodgkin, o mesmo que afetou o jardineiro americano.

  • 10/08/2018 15h14 Entrevista

    Há dois meses milhares de argentinas tomaram as ruas e, por conta de sua mobilização e pressão, foi aprovada na Câmara dos Deputados a legalização do aborto. A Argentina foi pioneira na América Latina na aprovação do casamento homoafetivo, em 2010, e na Lei de Identidade de Gênero, em 2012. O próximo avanço, no entanto, ainda vai ter que esperar. Numa votação apertada realizada nesta semana, no dia 9 de agosto, o Senado argentino rejeitou o projeto que veio da Câmara. Do lado de fora, as ruas de Buenos Aires e de várias cidades brasileiras foram ocupadas por uma onda verde de mulheres militantes. Ao mesmo tempo, entre 6 e 9 de agosto, aqui no Brasil, diversos setores da sociedade, pró e contra a descriminalização do aborto debateram numa Audiência Pública promovida pelo Supremo Tribunal Federal. Nesta entrevista, Maria Aparecida Schumaher, conhecida como Schuma, fala sobre o resultado da votação e defende que o movimento não pode desanimar. Coordenadora executiva da ONG Rede de Desenvolvimento Humano (Redeh), ela faz também um panorama dos entraves e das lutas pela legalização do aborto e das lutas pela descriminalização na América Latina e Caribe.

  • 06/08/2018 13h53 Entrevista

    Feito a cada dez anos, Censo Agropecuário do IBGE foi divulgado parcialmente, e os primeiros dados mostram um retrato nada bom, comentado pelo geógrafo Paulo Alentejano, professor da Universidade estadual do Rio de Janeiro

  • 13/07/2018 10h25 Entrevista

    A população aplaudiu. Parte da es­querda se calou. O governo Temer tremeu. Foram 11 dias de parali­sação, gerando desabastecimento em diversas cidades. Vitimada mais pelo preço da gasolina e do gás de cozinha do que pela carên­cia daqueles dias, 87% da popu­lação aprovou o movimento dos caminhoneiros – embora, uma vez finalizado, 69% avaliem que ele trouxe mais prejuízos do que be­nefícios ao país, segundo pesquisa Datafolha. A memória de momen­tos históricos dos caminhoneiros – como a participação no boicote que ajudou a enfraquecer o gover­no de Salvador Allende, no Chile –, somada ao pedido de intervenção militar, vocalizado por parte dos manifestantes, dividiu partidos e movimentos sociais de esquer­da. Diante da exigência concreta, de redução dos impostos que incidem sobre os combustíveis, aumentou a desconfiança de que a greve era, na verdade, locaute – um movimento de empresários e não de trabalhadores. O que o sociólogo e professor Giovanni Alves, da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), ex­plica nesta entrevista é que tanto essa categoria quanto a conjuntu­ra brasileira em que a paralisação aconteceu são bem mais comple­xas do que essas classificações expressas. Ele ressalta que, num contexto como esse, de demandas legítimas com soluções regres­sivas, fica mais claro perceber a falta de um sujeito político capaz de disputar o sentido das pautas e da organização de trabalhadores. O resultado, diz, é que eles aca­bam sendo atraídos por movimen­tos de direita. E essa ausência se expressa ainda, segundo ele, na dificuldade de se “traduzir” o pro­blema para a população, dando um passo além da consciência imediata. “Quem é que movimen­ta as ruas?”, questiona.

  • 06/07/2018 11h39 Entrevista

    O sociólogo César Callegari renunciou, no início desta semana (2/7), à presidência da comissão que analisa a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no Conselho Nacional de Educação (CNE). Em carta endereçada aos conselheiros do CNE, Callegari – que permanece como integrante do órgão até outubro deste ano – fez críticas à BNCC do Ensino Médio, apresentada pelo MEC ao Conselho em abril. Segundo ele, o documento do ensino médio contradiz o que foi definido na BNCC da Educação Infantil e Fundamental, homologada pelo CNE em dezembro de 2017, e é “radicalmente distinta” das versões iniciais. Para Callegari, a organização do documento, em que apenas as disciplinas de matemática e português aparecem como obrigatórias, com as demais diluídas em áreas do conhecimento, é um dos principais problemas. Ele reivindica, também, a revogação da Lei 13.415/2017, que aprovou a reforma do ensino médio. Segundo ele, representa um grave retrocesso, na medida em que autoriza que essa etapa de ensino seja ofertada na modalidade a distância, abre espaço para que recursos públicos sejam direcionados para a iniciativa privada e permite a contratação de professores sem formação específica para dar aulas na educação básica. Nesta entrevista, ele expõe suas críticas ao governo, fala sobre a pressão do MEC para acelerar a aprovação do documento pelo CNE e responde às críticas apresentadas por educadores e movimentos críticos à BNCC durante o processo de discussão da base no conselho.

  • 18/06/2018 11h26 Entrevista

    O presidente Michel Temer celebrou, em maio, dois anos à frente do Executivo. E a temática do desemprego foi um tópico sobre o qual o presidente se debruçou nos discursos que fez de balanço de sua gestão. Temer se saiu com algumas declarações polêmicas. Uma delas vinculou o aumento da taxa de desemprego registrada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - cuja pesquisa divulgada em maio apontou que existem hoje no Brasil quase 14 milhões de desempregados – a um suposto aumento da procura por empregos por trabalhadores diante de um aquecimento da economia. Nesta entrevista, Andreia Galvão, professora de Ciências Políticas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e editora da revista Crítica Marxista faz o seu balanço sobre o que a gestão Temer significou para as relações de trabalho no país. A reforma trabalhista, a liberação da terceirização para todas as atividades, entre outras medidas implementadas no período, segundo ela, contribuíram para configurar um cenário de fragilização dos trabalhadores e de precarização do trabalho no país.

  • 15/06/2018 11h31 Entrevista

    Michel Temer completou no mês de maio dois anos à frente do Executivo. Desde que assumiu, seu governo vem implementando uma agenda de reformas na educação que é alvo de críticas de educadores. Medidas como a reforma do ensino médio, a Base Nacional Comum Curricular e também a Emenda Constitucional 95 estão entre as medidas que mais impactaram a educação no período. Para Gaudêncio Frigotto, professor do Programa de Pós Graduação de Políticas Públicas e Formação Humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o governo Temer representa o maior retrocesso para as políticas de educação dos últimos 70 anos. Nesta entrevista, ele fala sobre porquê chegou a essa conclusão.

  • 06/06/2018 16h21 Entrevista

    Nesta entrevista, realizada durante o 4º Encontro Nacional de Agroecologia, a antropóloga Maria Emilia Pacheco, da secretaria executiva da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional , fala sobre a importância do encontro para a construção da resistência aos retrocessos que têm ameaçado a agricultura familiar e as políticas públicas de apoio à agroecologia. Ela também discute o papel da agroecologia para a garantia do direito à alimentação previsto na Constituição, que completa 30 anos em 2018.

  • 06/06/2018 15h48 Entrevista

    Irene Cardoso é professora da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e foi, até o ano passado, presidente da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), o braço acadêmico do movimento agroecológico. Nesta entrevista, realizada durante o 4º Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), ela fala sobre a importância de trazer a agroecologia para o centro do debate público no ano em que se completam três décadas da Constituição de 1988, um momento de esvaziamento das políticas públicas que permitiram à agricultura camponesa e à agroecologia obterem avanços importantes nos últimos 15 anos. Irene revela como esse desmonte tem afetado a agroecologia em âmbito acadêmico e denuncia as contradições do modelo de produção agrícola baseado no uso intensivo de combustíveis fósseis que, segundo ela, ficaram evidentes em meio à crise no abastecimento ocasionado pela greve dos caminhoneiros.

  • 22/05/2018 10h20 Entrevista

    O presidente Michel Temer celebrou na semana passada dois anos desde que assumiu a chefia do Executivo após o impeachment que destituiu a ex-presidente Dilma Rousseff. Foi um período em que as entidades do movimento sanitário, como a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), se manifestaram publicamente em várias ocasiões contra propostas e programas apresentados pelo governo federal para o Sistema Único de Saúde (SUS). Medidas como a revisão da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), a revisão da Política Nacional sobre Drogas por meio de uma resolução do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad), a criação do Programa Nacional de Formação Técnica para Agentes de Saúde (Profags), a proposta de planos populares de saúde defendida pelo então ministro Ricardo Barros, entre outras, foram alvo de críticas ferrenhas por sanitaristas e militantes do SUS. Nesse contexto de dois anos do governo Temer, o presidente da Abrasco Gastão Wagner faz uma avaliação sobre os impactos dessas e de outras medidas, como a Emenda Constitucional 95, para o SUS, que completou 30 anos no dia 17 de maio.