Saúde e agroecologia: a Fiocruz no 4º ENA

Aprofundar relação com o movimento agroecológico foi um dos objetivos da Fundação durante o encontro. Relançamento do Agroecologia em Rede e entrega de dossiê a favor da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos a parlamentares foram outros destaques da participação da Fiocruz
André Antunes - EPSJV/Fiocruz | 06/06/2018 11h18 - Atualizado em 06/06/2018 16h23
O vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Marco Antonio Menezes, durante a plenária final do encontro Foto: André Antunes

A Fundação Oswaldo Cruz teve uma participação importante no encontro. Cerca de 20 trabalhadores de várias unidades participaram do 4º ENA. Segundo Marco Antonio Menezes, vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), a participação no encontro faz parte de um processo de aproximação com os movimentos da agroecologia a partir de uma diretriz saída do 7º Congresso Interno da Fundação.  “Um ponto importante para a Fiocruz foi o anúncio de um novo momento na relação com a Articulação Nacional de Agroecologia, com a consolidação de um termo de cooperação. Para esse ano a meta é organizar um seminário nacional de agroecologia e saúde no segundo semestre, que está sendo construído junto com a ANA e com os trabalhadores da Fiocruz, e a partir dele esperamos ampliar ao máximo essa articulação”, afirma Menezes. Segundo ele, a Fiocruz busca também a partir do 4º ENA aprofundar a relação com Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), o braço acadêmico do movimento agroecológico. “Para nós é muito importante revelar a potência que tem a agroecologia não só como movimento e como prática, mas também como ciência”, destacou.André Antunes

Durante o encontro, a ABA e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), representada pelo pesquisador da Fiocruz Ceará Fernando Carneiro, entregaram um dossiê reivindicando a aprovação da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNARA). A entrega, simbólica , foi feita ao deputado federal Padre João (PT-MG), integrante de uma comissão especial da Câmara criada para analisar o PL 6670, que institui a PNARA. A comissão foi criada há cerca de duas semanas para se contrapor aos debates que vêm ocorrendo no âmbito de uma outra comissão especial da Câmara que desde 2015 analisa o chamado de Pacote de Veneno, que flexibiliza a legislação sobre o registro de agrotóxicos no país, e que já foi objeto de um outro dossiê produzidos pela Abrasco e pela ABA, reunindo todas as notas técnicas produzidas em repúdio ao projeto. O documento entregue durante o 4º ENA traz os argumentos científicos que justificam a aprovação da PNARA, além de reafirmar a agroecologia como alternativa ao modelo do agronegócio, baseado no uso intensivo de agrotóxicos.

Outra ação decorrente da cooperação entre Fiocruz e ANA anunciada no 4º ENA foi o Agroecologia em Rede, relançado depois de um processo de reformulação de sua interface e adaptação para acesso em todos os tipos de dispositivos, inclusive celulares e tablets. O Agroecologia em Rede é um sistema de informações sobre iniciativas da agroecologia de todo o país onde é possível identificar experiências, grupos, coletivos, redes e pessoas vinculadas à agroecologia a partir da localização geográfica, áreas temáticas, entre outros critérios. O sistema integra também a plataforma Intermapas, criada em 2011, reunindo outras iniciativas de mapeamento realizadas por instituições e movimentos sociais. Uma delas é o Mapa de Conflitos envolvendo Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil, lançado em 2010 e desenvolvido em conjunto pela Fiocruz e pela Fase.

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Nesta entrevista, realizada durante o 4º Encontro Nacional de Agroecologia, a antropóloga Maria Emilia Pacheco, da secretaria executiva da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional , fala sobre a importância do encontro para a construção da resistência aos retrocessos que têm ameaçado a agricultura familiar e as políticas públicas de apoio à agroecologia. Ela também discute o papel da agroecologia para a garantia do direito à alimentação previsto na Constituição, que completa 30 anos em 2018.
Irene Cardoso é professora da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e foi, até o ano passado, presidente da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), o braço acadêmico do movimento agroecológico. Nesta entrevista, realizada durante o 4º Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), ela fala sobre a importância de trazer a agroecologia para o centro do debate público no ano em que se completam três décadas da Constituição de 1988, um momento de esvaziamento das políticas públicas que permitiram à agricultura camponesa e à agroecologia obterem avanços importantes nos últimos 15 anos. Irene revela como esse desmonte tem afetado a agroecologia em âmbito acadêmico e denuncia as contradições do modelo de produção agrícola baseado no uso intensivo de combustíveis fósseis que, segundo ela, ficaram evidentes em meio à crise no abastecimento ocasionado pela greve dos caminhoneiros.
Aprofundar relação com o movimento agroecológico foi um dos objetivos da Fundação durante o encontro. Relançamento do Agroecologia em Rede e entrega de dossiê a favor da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos a parlamentares foram outros destaques da participação da Fiocruz
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Em meio à greve dos caminhoneiros, participantes do 4º ENA alertam para as contradições do sistema de produção e distribuição de alimentos, denunciam a expropriação dos territórios e a violência promovida pelo agronegócio e discutem estratégias para fazer avançar a agroecologia em um contexto de retrocessos
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Entregue durante o 4º ENA, documento traz argumentos científicos que justificam a aprovação da PNARA, além de reafirmar a agroecologia como alternativa ao modelo do agronegócio. Dossiê será analisado por comissão especial que vai avaliar projeto de lei que institui a Política na Câmara dos Deputados

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